Review: Lorde – ‘Melodrama’ (Álbum)

.

lorde melodrama

9.9

.

Apesar de a cada ano veículos especializados e respeitados, alguns como a BBC Radio 1 e até mesmo os indicados ao Grammy, apontarem uma enorme lista de revelações, muito por obrigação e pelo cumprimento da pauta anual, nenhuma novidade gerou tanta comoção nesta década desde que Lorde surgiu em 2013 com o furacão ‘Royals’, porém, uma estreia é uma estreia, e apesar de em alguns casos um bom começo render passe livre por toda uma carreira, manter a relevância da sua obra é sem dúvidas uma pressão que faz com que muitos artistas acabem se perdendo no meio do caminho.

No entanto, pressão não foi algo imposto à jovem neozelandesa, hoje com 20 anos, ou pelo menos não em questão de tempo corrido, visto que o seu segundo disco chegou ao mercado quase quatro anos após o aclamado ‘Pure Heroine’, e considerando que vivemos em uma época onde a maioria dos artistas pop trabalham com prazos de 12 meses para entregar um novo disco para suas gravadoras, Lorde teve tempo suficiente para viver as experiências expostas em seu ‘Melodrama’, que apesar de uma roupagem mais pop e dançante que o seu antecessor, se assemelha bastante com os temas do mesmo, mudando apenas o ponto de referência em alguns momentos.

Se em sua estreia ela nos mostrou uma visão da sociedade através dos olhos de uma adolescente de apenas 16 anos que vivia lá na Nova Zelândia, dessa vez a história gira em torno do que essa, agora mulher, passou após conquistar fama, sucesso e amizades influentes. Talvez essa descrição fosse a melhor forma de defender algo genérico sobre jogar as mãos pra cima, mas a sinceridade destemida com que Lorde narra cada situação nos faz se tocar do óbvio: todos passamos por problemas, por mais belo que o externo transpareça, pois como a própria questiona “o que são lugares perfeitos mesmo?“.

lorde-aovivonovayork

.

Em outro grande destaque do álbum, de apenas 11 faixas, a produção do francês Jean-Benoît Dunckel, do Air, em ‘Supercut’ mostra como um hit pop pode ser extremamente explosivo, dançante e cativante, mas ao mesmo tempo agressivo, violento e pertubador com um middle 8 levado por “cause in my head I do everything right, when you call, when you call, I’ll forgive and not fight, because ours are the moments I play in the dark we were wild and fluorescent, come home to my heart, uh” – aqui adicione um grito na segunda vez que ele é cantado.

Com todas as músicas conversando entre si, incluindo pontes bem explícitas como ‘Sober’ e ‘Liability’, o que tornou Lorde uma estrela única, arrancado elogios até de David Bowie (que acreditava que ela era o “futuro da música”, de acordo com um ex-membro de sua banda), não se perdeu mesmo após a montanha russa pela qual sua vida se transformou desde que gravou despretensiosamente o EP ‘The Love Club’, a principio disponibilizado gratuitamente no Soundcloud até entrar no radar mundial.

Assim como o ‘Pure Heroine’, ‘Melodrama’ é um álbum que a gente se quer cogita em algum momento funcionando com outra pessoa, pois mais do que pessoal, é a narrativa de uma pessoa olhando para si mesma e contanto o que ela enxerga. Talvez esteja aqui a diferença de Lorde para tantas outras revelações que surgiram nos últimos anos, onde são facilmente apontados como novo(a) alguma coisa ou ganhou uma música feita para X pessoa, tornando bem difícil para o público identificar o que os tornam únicos, dúvida que ninguém possui sobre Lorde, independente de gostar ou não do trabalho dela.