“After Laughter”: Paramore enfrenta tempos difíceis em novo álbum

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Liderado por “Hard Times”, disco é o primeiro trabalho da banda após ganharem um Grammy

6.0

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Lançado em 2013, o autointitulado quarto disco (#1 no US e certificado platina) do grupo os levou a patamares desconhecidos na carreira. Com “Ain’t It Fun” (#10 no US), o quarto e último single de trabalho, o Paramore atingiu o top 10 da tabela Hot 100 da Billboard pela primeira vez e ainda trouxe o primeiro Grammy da banda liderada de Hayley Williams. Quatro anos depois, com um visual muito mais colorido e distantes do som pop rock que os consagrou, a banda aposta no pop oitentista e sintético e no new wave com “After Laughter”.

Hard Times” (#90 US, #34 UK), a primeira música de trabalho e dona do melhor refrão do disco, apresenta ao ouvinte o som predominante pelas 12 faixas. Batidas que lembram bandas como o Hot Chip contrastam muito bem com o vocal de Hayley nessa que foi a escolha mais óbvia para uma música carro-chefe.

Seguimos por “Rose-Colored Boy“, uma das melhores faixas do trabalho, que vai te fazer querer reviver a líder de torcida adormecida em você com a ponte “Low-key, no pressure/ Just hang with me and my weather”.

Em “Forgiveness“, Hayley dá o troco em quem parece ter partido seu coração. Desta vez, as batidas estão mais calmas e ouvimos “E você, você quer o perdão/ Mas eu ainda não posso lhe dar”. Mais pro fim, ela declara: “Perdoar não é esquecer/ Eu nunca vou me esquecer”.

Dando um tempo no pop sintético, “Fake Happy” inicia com os acordes de violão e lentamente nos direciona de volta ao som oitentista. A diferença aqui é que esta é, tanto a letra e a melodia de voz, a faixa que mais se aproxima do Paramore das antigas (no final tem até uns “parapapa” que lembra “Brick by Boring Brick”, de 2009) e deve ser por isso que vem sendo cotada como a preferida dos fãs. A letra, juntamente com “Hard Times”, parece nos certificar do que estamos vivendo: uma felicidade plástica. “Eu venho fazendo um bom trabalho em fazê-los acreditar que estou bem”, entoa.

Os tempos difíceis do trabalho começam com “26” e permeiam quase toda a segunda metade do disco: o trabalho fica monótono. Parece que as melodias são as mesmas, que estamos ouvindo a mesma música sempre. Em algumas músicas, como “Pool“, a mixagem chega a deixar alguns vocais bem mais baixos que os instrumentos. Aliás, o refrão dessa parece ter sido gravado com a mesma vontade que a gente tem de levantar da cama logo cedo. A única salvação desta metade é “Idle Worship“, música que facilmente serviria como trilha de uma fita de videogame. Aliás, “Idle” é uma mensagem da própria banda para quem conseguiu chegar até aqui: “Odeio te desapontar/ ou te deixar esperançoso”.

Comparado ao último disco, a vibe menos agressiva de “After Laughter” pode deixar a desejar para os fãs que os acompanham desde “All We Know Is Falling” (2005) e “RIOT!” (2007), mas é uma boa tentativa em atrair uma nova geração de admiradores e execuções em rádios pop. Se você quer um disco repleto de músicas para iniciar a segunda-feira de manhã, este é o ideal para você. Agora, se quer algo mais bem trabalhado, mais agressivo e inteligente, volte uma casa pro “Paramore” (2013).

Ouça: Forgiveness, Rose-Colored Boy e Hard Times.