Review: Zara Larsson – ‘So Good’ (Álbum)

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zara larsson so good cover

8.1

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Quase um ano e meio desde que o disco foi anunciado pela primeira vez, Zara Larsson está lançando nesta sexta-feira (17) o seu segundo álbum de inéditas, sendo esse o primeiro comercializado fora dos países escandinavos.

Entre parcerias ao lado de nomes como Tinie Tempah e David Guetta que, principalmente na Europa, ajudaram a fortalecer seu nome enquanto suas várias gravadoras tentavam chegar a um consenso de quando o sucessor do ‘1‘ deveria ser liberado, Zara chega hoje com um disco que teve o seu lead single, já que ‘Lush Life’ está na tracklist, lançado em junho de 2015.

Claro que após tanto tempo em stand by muita coisa deve ter entrado e saído desse álbum, e caso tivesse sido realmente lançado em setembro de 2015, como estava planejado a principio, as músicas seriam certamente outras, no entanto, é possível notar que a identidade se manteve condizente ao que Zara nos estimulou a esperar dela – e aqui cabe bastante do quão cada pessoa gosta ou não dela.

Apesar dos singles apontarem para várias direções, dentro do contexto do ‘So Good’, não é como se a garota da época de ‘Bad Boys‘ e ‘Carry You Home‘ tivesse se perdido para chegar aqui. ‘Too Good For Me’ soa como a versão mais polida de ‘Heart Skips A Beat‘ enquanto ‘I Can’t Fall In Love Without You’ é a faixa que nos ajuda a lembrar que o primeiro hit de sua carreira foi ‘Uncover‘. Passos foram dados e esse é um dos motivos que colaboraram para o disco ter um formato mais sólido que o primeiro.

Muitos defendem que um bom álbum é aquele onde todas as faixas podem ser escolhidas como single, mas levando em conta que singles geralmente são as canções mais fáceis de grudar nas rádios para agradar o grande público, aqui iríamos precisar abrir mão de ‘Funeral’, uma das melhores composições de Zara, para colocar alguma coisa com refrão de duas frases se repetindo 10 vezes, como por exemplo “so good, so good, so good, so good, you know my love is“, que aproveitando a oportunidade para tirar o elefante branco da sala, até ficou mais bonitinha no meio da tracklist, mas definitivamente não faz jus ao posto de dar título ao álbum.

Como a própria Zara já declarou, ela é bem ruim com títulos, mas já que era pro disco ter o título de alguma das músicas, adaptar ‘Symphony‘ para ‘Symphonies’ teria sido uma saída bem mais habilidosa. Um dos pontos mais altos desse trabalho, a parceria com o Clean Bandit até pareceu um feat dela com o trio britânico quando ouvimos pela primeira vez, porém, duas semanas atrás ainda não havíamos conhecido ‘Don’t Let Me Be Yours’, faixa escrita em colaboração com Ed Sheeran, e que colocando uma ao lado da outra, dá tanta autoridade a ela, quanto para o Clean Bandit, de assinarem a música de forma igualitária.

É certo que todos os atrasos fizeram com que parte do público criasse expectativas acima da média sobre o que esperar do disco, mas para uma garota de 19 anos que ainda não tem acesso a produtores como Max Martin, o dever de casa foi cumprido. É claro que Zara já construiu algo maior que outros nomes de sua faixa etária e por isso não é como se qualquer coisa que ela entregasse fosse o suficiente, mas qual popstar em início de carreira lançou um álbum tão sólido, dentro de sua proposta, nos últimos 12 meses? A valorização que Zara Larsson recebe é justa, pois entre as várias atuais promessas do pop, ela é a em que mais podemos confiar (ao lado de Dua Lipa, mas sobre ela a gente deixa pra comentar melhor em junho, quando seu álbum de estreia sair).